terça-feira, 30 de junho de 2009

BICHO SOLTO

Nasci borboleta, bela, colorida e provida de luz, até me aparecer Franz Kafka, com ele tomei alguma simpatia pelas tão excluídas baratas. Nas eternas fugas das solas de todos os tipos de solados, vim sobrevivendo, se fosse pra morrer não teria de ser sob uma havaiana qualquer, como um sonho de consumo, adoraria ser humildemente esmagada pelo Rider, de preferência o do Marcos Palmeira.
Eis que me surge, em minhas fornicações enquanto barata, nos velhos sebos literários, George Orwell, lendo-o e relendo-o, fiz cá comigo minha própria revolução, não negando a categoria, claro, “Bichos Unidos Jamais Serão Vencidos”, mas, inevitavelmente me fiz uma leitoa, uma pig rosada como aquela voadora do disco do Pink Floyd. Mas vida de leitoa é bem complicada, manter-se em forma, sem aquelas incômodas gordurinhas, aqueles quilinhos a mais, pra evitar o abate, nos faz diferentes dos humanos que preferem os ossos à mostra da Gisele.
Caiu em meus ouvidos uma canção do Raul, tinha até mago de coadjuvante, um tal coelho, me vi então uma ambulante metamorfose, quis ser King Kong, símio malandro, que só traçava loiras cinematográficas, ou quem sabe Flipler, um golfinho boiolíssimo dos seriados da tv, já fui Lassie, Bethoven , Chita e até, saindo do mundo dos bichos, um fusca que falava...
Transmutações... Hoje minha condição de humana me causa alguma vergonha, que saudade das borboletas que, sem esforço algum, são belas, coloridas e providas de luz.
Moral da história ( Moral é invenção dos homens ), quanto mais me intero do mundo animal, mais os invejo e faço cá comigo minhas metamorfoses pessoais pra todos os momentos de minha atribulada vida. Tomo como verdadeiro o meu pavor da raça humana, há que se dizer por que ?

Abnegada Abgail

sábado, 6 de junho de 2009

SOBRE BODES E PATAS - Parábola sobre amores animais ... domésticos










Certa feita um bode (não era velho, mas já era rabujento), cismou de entrar na vida de uma patinha, o sucesso da investida foi tamanho, que tinha até camisa de fã clube. Tá bom, mas e daí? Daí que esse personagem não entrou na vida de ninguém apenas para dividir a ração e os prazeres da vida nas nossas fazendas diárias, ele queria na verdade, e ele era e é verdadeiro até hoje, era dividir tudo aquilo que dissesse respeito àquela que ele então passou a chamar de “sua patinha”.
Nem caberia na história os tantos momentos já vividos nessa relação um tanto inédita, inédita em quase tudo, e os dois sabem bem disso, bodes e patos não se ajeitam lá muito bem, ou se ajeitam até por demais de uma forma que muito pouca gente entende.
Todo mundo tem momentos de patos e/ou momentos de bode, salvo o trocadilho, momentos de bode também podem ser muito bons. Todo o mundo, inclusive os chineses lá da China e os burquina fassensse de Burquina Fasso tem momentos de luz, permeados, claro que, (Ih, lá vem merda) de momentos muito tristes e ruins, ou seja, entenda-se por lá vem merda tudo aquilo que com ou sem a nossa permissão nos tira um bocado de sossego.
Ansiedade, tensão, medo do carai (o que significa um medo grande e não pavor do pênis), não são lugar comum para nenhuma criatura na face da terra, e assusta, como assusta, e em momentos de grandes sustos e de um certo descontrole emocional (também chamado de choro), há que se ter sempre a mão, já que não um pelo de bode, um telefone pelo qual se liga e ali mesmo, na parte em que se fala, agora se chora.
É impressionante que a história do bode e da pata está arquivada e nunca teve um THE END, prenúncio, bom sinal, e nenhuma história tem fim se assim quisermos e fizermos que isso aconteça, assim como a história de nossas vidas e a história da vida das pessoas que amamos.
E disse Deus! E por que diabos Deus vai entrar agora nessa crônica agora? Porque, bode que é bom não berra e finge até que não conversa com Deus, balela (patas costumam odiar essa palavra), bodes conversam sim com seja lá quem for pra buscar respostas e razões pra tudo o que possa tirar sua patinha do travesseiro as tantas da manhã em pleno desalinho emocional. E é sabido que em seu último colóquio mais que particular com a divindade, obteve garantias e respostas das mais positivas e alentadoras para tudo aquilo aflige sua patinha. Sua divindade disse coisas que até Ele duvida, mas garantiu veementemente que tudo vai terminar da forma mais serena e vai dar a lógica: “No final, tudo vai dar certo”, isto foi ele quem me garantiu, agora tem que ser uma pata muito das atrevidas pra discordar da palavra do homi, vai querer???
No entanto, o choro chora, a dor dói, o medo amedronta, a ansiedade ansia e a preocupação preocupa e, nessas horas, só restam basicamente 2 opções, ou quem sabe 3, entregue-se ao sofrimento, ligue pra bodes dispostos ou acredite nas previsões e na confiança que manténs Nele, o cara, até porque ele sempre, desde que eu me entendo por bode, soube muito bem o que fez.

Confira

Cronicas de Abnegada Abgail
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Crônicas de dores passíveis
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