sexta-feira, 15 de maio de 2009

GUARDADAS AS DEVIDAS PROPORÇÕES










Pra quem tem ou se aproxima da minha idade, o que aliás não a tornarei pública e é por pura vaidade mesmo, ficam lembranças bem interessantes dos tantos anos já vividos, e destas, as que, eu por exemplo, mais recordo com prazer são aquelas de coisas simples, bem simples mas que em determinado momento e contexto, fizeram toda a diferença. Alguém aí se lembra das balas soft (aquela que engasgava criancinhas), não pelo fato de entupir laringes infantis, mas por que eram boas mesmo.
Ando tentando em uma busca desenfreada comparar o prazer do amor com os prazeres simples e deliciosos da vida, se é que amor se compara a algo, mas por mera distração, tentei elencar coisas que me deram infinita alegria, quase perto daquela que sinto ao ter e dar amor a uma especial e exclusivíssima pessoa, então vamos lá:

Maria Lucia Padilha nunca me fez engasgar como as já citadas balas, mas amá-la e tê-la é de uma infinita doçura;
Maria Lucia Padilha não se parece com uma fita K7 Basf novinha, onde eu gravava meus rocks, mas amá-la e tê-la é ouvir mesmo que dormindo, Robert Plant em Going to Califórnia;
Maria Lucia Padilha não tem muito haver com a menininha das tirinhas “Amar é...”, até porque ela já é o próprio significado do verbo;

Maria Lucia não se compara àquela taça de “banana split”, até porque e muito antes pelo contrário, amá-la e tê-la eleva acintosamente a minha temperatura;
Maria Lucia não pode ser comparada ao Flamengo de 81, mas amá-la e tê-la é a certeza de domingos de muita alegria;
Maria Lucia não é uma tarde de sábado no programa do Chacrinha, amá-la e tê-la, bem sei e conjecturo é bem melhor que a própria Teresinha.

Lucia me lembra roupa nova de ir a missa, bonita, cheirosa e brilhante, que dá uma vontade de mostrar pra todo mundo e se levanta o nariz com excessivo orgulho;
Lucia é livro e caderno novo em fevereiro, que se encapa com carinho pra durar pro resto da vida;
Lucia é parque de diversões e amá-la e tê-la e tão emocionante como os recadinhos carinhosos do serviço de auto-falante.
Lu é a casquinha do sorvete que se come até o fim;
Lu é boletim todo azul em dezembro;
Um jeans velho, azul e desbotado;
Acampamento de última hora;
Caixa de lápis com 24 cores;
Picolé de goiaba na praia;
Vento forte nos cabelos;
Peixe beliscando a isca;
Água fria de cachoeira;
Tênis que não aperta;
Visita de padrinho;
Presente de Natal;
Lençóis brancos;
Bolas de gude;
Pés descalços;
Cama macia;
Chuva fina;
Férias;
Amor.

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