sexta-feira, 28 de setembro de 2007

MAR DO TEMPO PERDIDO

O mundo está triste desde terça-feira passada. Passada a época dos caranguejos no lodo e do ruído insano da roda gigante quase vizinha. Me deu vontade de escrever tal como escreveria Garcia Marques sobre sua também insana Martinica.
O winzip condensado de tristezas reunidas ao longo do ano, pesou na nuca e ombros, enrijeceu todo a alma, existem massagens para tal. Se tristezas fossem frutos que se apodrecem e caem do “eu árvore”, hoje sou só folhas, com sorte, ainda não se fez inverno e eu seria alguns galhos vazios.
Não há do que se queixar, são as doidivanas dores mundanas, eu e mais um planeta inteiro as temos. O que realmente me traz pavor é que essas também doem em você, e, como dói o saber das dores que doem em você.
Não fosse sua candura, longe estaria o nosso amor, me traz um medo o saber que seus ombros possam ser mais rotos que os ombros do mundo...
Quem sabe não seria bom sairmos de biquínis roxos do mar do tempo perdido em choros e buscar espaços de voltar à vida. Quem sabe, para fins de dezembro, possamos estar nas águas do tesão absoluto de só e plenamente estar vivo ?
Por que não sou Garcia Marques para, fantasiosa e absurdamente, solucionar as coisas de lágrimas alheias ? Por exemplo, me mudar para o seu quintal, virar árvore e te prover de frutos tão doces que só fazem rir ? Exceto no inverno, em que você sempre se ajeita em mantas de amor próprio.
No inverno, eu despejaria os apodrecidos frutos, tomaria um Chateau qualquer e, pacientemente, aguardaria o momento certo de novamente lhe adoçar.
Por fim, o que nos resta é estarmos, e estando, compreender sempre que só faltam 6 meses e 11 dias de qualquer ano para a nossa morte, que tal viver ?
Um grande beijo, durma em paz, eu cá comigo lhe garanto, continuo produzindo, com o seu carinho, água e atenção, pra você os mais belos frutos e madeixas.

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