sexta-feira, 28 de setembro de 2007

A MÚSICA QUE OUÇO


No exercício diário do ouvir, sons me chegam e invadem a minha imaginação.
Imagino Jobim tocando trompas angelicais enquanto vem chegando suavemente em meus ouvidos um cheiro forte de jazz em uma jam dos anos 30.
A música que ouço, entra blues e em um processo de liquidificação do espírito, se faz mambo, tango ou merengue.
Djavan sopra suave, passarinhando Nucci, que claudicantando me encanta, eu , por minha vez, apenas ouço e me renovo, sempre que a música troca a roupa de minha alma.
Sons de cigarra si, si, si, Zizi me chama, clama e reclama: há também o tempo de não ser só formiga, quem sabe Moska, Paulinho pulando por entre vagões, vagos antes do som, agora pleno de luz musical.
Nós por exemplo somos soul, alma negra, rock’n roll, boca aberta de stones que cantam , desejando ser Gil que embaianando Soweto, se fez Marley regado a dendê.
De Holanda a Catolé do Rocha ouço Chicos, que com ciência ainda batucam nos mangues de pernambuco.
Todas as músicas são boas, desde que realmente o sejam. Todos os sons se fazem musicais, desde que os ouvidos mudem de lugar e façam casa no espírito.
A música que ouço transcende os tímpanos e eriça os pelos em átmos de sensibilidade, transformando pau e corda em despertadores de emoção, vozes rasgadas em líricas celestiais e plugando amperes ao mais profundo dos sentires da alma.
Os dias passam e eu vou sampleando em uma colagem bem arranjada, pedaços de sons a pedaços de vida, fazendo-me pleno, inteiro e em um intertexto sartreano, a minha essência musical, teimosamente, precede a minha existência.

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